
Equilíbrio. É difícil ser equilibrado. Particularmente, não sou bom nisso. Tremo demais, coordenação motora não é o meu forte e acabo me desequilibrando, derrubando coisas. Da mesma forma, observo a caminhada cristã. Trememos e desequilibramos, tiramos as rédeas e as colocamos novamente, derrubamos as coisas e ajeitamos. É uma luta diária da ansiedade contra a calma, da pressa com o esperar. Da carne contra o espírito. E eis o ponto de que gostaria de escrever.
Gálatas 5 fala do fruto do Espírito e das obras da carne. Não vou escrever sobre as obras da carne, mas gostaria de me debruçar sobre o que esse texto diz sobre o Espírito e o fruto.
Em duas palavras, que não resumem, mas apresentam um poucochinho do que vi, é que o Espírito é comedido e íntegro e o fruto nos mostra isso. O fruto é 9 partes. Não, não teve erro de gramática. O texto diz que o fruto é. Ou seja, é a multiforme graça de Deus superabundando onde antes abundou o pecado e representado na melhor figura possível que é o fruto. Tal qual uma laranja, com seus gomos, preenchendo todo o nosso ser.
O fruto é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Paremos sob o último aspecto do fruto. Domínio próprio, o equilíbrio cristão.
O incrível é que o equilíbrio neste caso não é ter alguma parte do fruto e realizar algumas obras da carne. O equilíbrio é ter o corpo e a alma dominados pelo espírito. O que isso significa? Significa que tudo o que somos, pensamos e agimos não parte de nós mesmos, mas antes é guiado pelo Espírito (com E maiúsculo), e não vivemos mais para nós mesmos, mas sim para Aquele que nos salvou. O equilíbrio, ou domínio próprio, é uma das principais facetas do fruto e nos diz respeito a impulsos da carne, a sentimentos desenfreados, paixonites, raivas, olhares, enfim, é o Espírito dominando a carne e a concupiscência que nela habita.
Outro ponto do equilíbrio está no dominar do Senhor sobre nossos sentimentos. Quando fala-se de sentimentos, fala-se de alma. A alma nos impulsiona, se agita, se alegra, apaixona, sofre, interfere na vida do homem. O tratar da alma é algo duro, progressivo e no fim dará bons frutos.
Olhando para os versículos bíblicos que permeiam o livro de Salmos, percebe-se um derramar da alma dos escritores daqueles cânticos e como o Senhor produz o fruto em nossa vida.
Salmo 37. Davi abrindo seu coração a respeito dos injustos, rasgando o verbo e vendo que o Senhor é com aqueles que o temem. Em meio a tantos versos emocionados, porém, conduzidos pelo Espírito, temos três preciosidades. Versículos 3, 4 e 5:
"Confia no Senhor e faze o bem, habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor e te concederá os desejos do teu coração. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele e ele o fará..."
Três aprendizados. Acima dos passos inseguros da alma, há o cuidado do Senhor (confia). Acima das incertezas das emoções, há a mão do Senhor (deleita). Acima das minhas decisões, há o fazer do Senhor (entrega).
A nossa caminhada passa por momentos de certeza e momentos de questionamento, as decisões mais graves envolvem esse tipo de situação. Não há fórmula mágica, apenas o tratar do Senhor em meio as circunstâncias.
Decisões racionais aparentemente são mais simples, decisões emocionais mais complexas, ambas envolvem a alma de uma maneira ou de outra, ambas envolvem o ego humano, ambas impactam o andar da carruagem, porém, há um caminho, há um jeito, há uma cruz. Enquanto a cruz não for efetiva, batemos cabeça. Tomamos decisões precipitadas, deixamo-nos levar por situações que infringem o nosso portar cristão e as situações vão fugindo ao controle. Como resolver? Na cruz. Como suportar? No tempo de Deus. Como não ser hipócrita e aplicar a Palavra? Negando-se a si mesmo, tomando a cruz a cada dia e seguindo a Cristo, não apenas com palavras. Difícil? Sim. A carne é fraca. Mas o espírito está pronto, o fardo Dele é leve e o jugo suave. Ele nos carrega. É difícil porque não descansamos.
Durante algum tempo amarguei e achei que não havia espaço para emoções na vida cristã. Porém, há. Mas isso deve ser equilibrado, sóbrio. O que divide a alma do espírito é a Palavra. Deve-se alicerçar os planos e desejos na Palavra do Senhor. Só ela pode esclarecer os cantos mais obscuros dos sentimentos humanos.
É ela que nos traz de volta a realidade e nos mostra que não devemos brincar com as situações, mesmo que isso fuja ao controle por rebeldia humana. É ela que nos indica o caminho de volta, descanso e espera.
O resumo da ópera seria: paciência e disciplina.
Somente assim encontraremos a liberdade para abrirmos o coração com todos os tesouros que o Senhor tem reservado para aqueles que assim desejarem fazer. Nunca é tarde para começar ou recomeçar. As quedas ocorrem, por mais que você imagine que nunca ocorrerá com você. E elas ocorrem justamente para trazer a tona que nós de nós mesmos não temos nada, que em poucos minutos nos esquecemos de Deus e agimos pelas nossas próprias mãos. Portanto, façamos como o salmista, lembremos do Senhor (Sl 42:6). Que nos lembremos do Senhor a cada dia, porque embora um abismo chama outro abismo, o Senhor mandará a Sua misericórdia de dia e de noite a canção Dele estará conosco. (Sl 42:7,8)
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