segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Completa salvação...




O Senhor nos salvou de uma tão terrível condição e nos deu livre acesso ao coração do Pai.
A partir do dia em que Ele nos alcançou, nós deixamos de viver para nós mesmos, nossos planos mudaram, nossos anseios mudaram. A Salvação não é algo casual, como colocar uma moeda numa máquina de Coca-Cola, aguardar a latinha sair e continuar a vida. A Salvação também não é o fim da caminhada do homem, do tipo “agora sou salvo, posso continuar meu rumo independente”. A Salvação é apenas o início do caminho, a porta de entrada, onde após termos este acesso, todas as outras decisões e escolhas se basearão no fato de sermos salvos.
Vejo que com frequência buscamos caminhos alternativos aos que a cruz nos apresenta. A Salvação é o plano de Deus para o homem voltar-se para o centro do amor de Deus, aonde tudo provém Dele e tudo emana para Ele.
Como podemos ver isto aplicado em situações do dia-dia? Devemos colocá-lo dentro das escolhas do nosso cotidiano. Sem hipocrisias, acho que nunca na minha vida orei a Deus questionando sobre que roupa usar em algum culto ou que camisa xadrez deveria comprar, mas sem dúvidas, quando fui escolher minha graduação orei a Ele, quando fui investir em alguma coisa de valor, também orei a Ele, quando entrei em alguma enrascada então, sem dúvidas orei a Ele. Estas situações nos trazem a tona à realidade de Deus e o quanto seríamos mais seguros se orássemos a Ele em situações mais simples.
A partir de experiências com Deus, começamos a entender que o nosso caminhar, não é mais um anárquico caminhar, mas sim um caminhar reverente, o qual deve explicações e busca explicações do Dono de tudo. O Chefe é aquele Paizão que nos ensina com amor e fervor, com justiça e bondade, para ganhar o nosso ser completamente para Ele, onde nossos erros são nossas maiores lições e nossos acertos são a rota para que possamos ter a Salvação completamente aplicada no nosso viver.

sábado, 24 de novembro de 2012

Orgulho da humildade...



O orgulho tem sufocado muitas vidas. Pessoas que não deixam Deus trabalhar no caráter, em função do orgulho. 
O orgulho do status, do emprego, da faculdade, da família, do carro, da roupa de marca. Orgulho, vaidade. O Pregador bem disse: "vaidade, tudo é vaidade". 
Eclesiastes é um dos meus livros preferidos da Bíblia. É uma análise tão realista da vida, é um olhar para trás de um velho que teve toda a sabedoria do mundo e experimentou todas as ofertas que lhe apareceram. 
"O muito estudar é enfado da carne", sábia ponderação. "Melhor é serem dois do que um". "Sejam poucas as tuas palavras, porque você é homem e Ele é Deus nos céus". "Melhor é a honra do que o perfume". "Não há um homem justo sequer na terra e que nunca peque". Essas são algumas das análises que lembrei ou achei agora por aqui, que inspiradas por Deus foram registradas pelo Salomão neste livro. Isso tudo demonstra a luta da caminhada cristã, onde o cristão procura se encaixar nesse mundo, encontra seus limites e descobre que na sua mente não há bem algum, que na sua carne não há bem algum.
Interessante, porque isso tudo envolve o orgulho. 
O muito estudo, tende a trazer um ar superior a quem o faz. Converse com um advogado por 5 minutos e diga que ele não sente orgulho por conhecer as leis de cor ou por ter uma boa retórica? 
O orgulho em aceitar a ajuda de um próximo. É melhor serem dois, porque um ajuda ao outro, mas e para deixar se ajudar? 
O muito falar, o resolver com as próprias mãos. Sejam poucas nossas palavras, Ele é Deus nos céus e ponto. 
O perfume é bom, a veste que se usa é importante na sociedade, mas a boa fama é melhor do que isso. Há muita preocupação com o ter e pouca com o ser. Isso é orgulho.
Agora de todas essas afirmações do autor do Eclesiastes, a que mais me chama a atenção é a última. "Não há um justo sequer". É louvável perceber isso, a Palavra nos mostra isso, mas satanás é sujo, a carne é fraca. O mais sutil golpe é o orgulho de não ter orgulho. Que paradoxo! Mas é exatamente isso e é exatamente aí que caímos sem nem perceber que caímos. O orgulho de termos sido disciplinados por Deus e acharmos que isso nos fez uma pessoa melhor do que as outras é o erro capital. Falamos que não temos orgulho e essa posição agrada, disfarçadamente, o ego. Lá no fundo bate um bem-estar em ser humilde. Vaidade.
Essa luta é a constância de todo cidadão cristão que em algum momento teve contato com a realidade de Deus. Uns nem perceberam essa realidade, bem como não tiveram algum contato com Deus, pois, ou desistiram na primeira provação que passaram ou sentiram orgulho da prova que passaram e não experimentaram do verdadeiro mel de dentro do leão.
Que as nossas experiências possam nos trazer ganhos espirituais. Que os nãos e dificuldades, sejam o meio de nosso caráter ser forjado por Cristo e com isso termos aquela verdadeira humildade em dizer "que seja feita a Tua vontade e não a minha". Que em momento algum deixemos nosso ego nos pregar peças, mas que as experiências de Salomão e tantos outros registrados na Palavra sejam o nosso alicerce para termos a nossa frente, bem claro, o espinho na carne que carregamos, para nos lembrar que somos pó e totalmente dependentes das mãos potentes do Salvador.
Tocando de fato essa realidade espiritual e deixando de lado a vaidade, o orgulho, entendendo exatamente o que Salomão registrou em Eclesiastes, que o fim de todos os homens é o mesmo, que tudo nesta vida tem seu tempo e é passageiro, a caminhada errante por este mundo se encerra algum dia, mas para quem é salvo no Senhor Jesus Cristo, o foco deve estar no que é real, no que é espiritual, pois existe uma coroa da vida, a qual o justo Juiz dará a todos aqueles que amarem a Sua vinda.
Que possamos almejar essa vida plena, amando a vinda do Senhor, para de fato nos encontrarmos com o Senhor nos ares e assim viver para sempre!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Chamado do alto...



A seguir um texto traduzido de um folheto em espanhol, encontrado na Colômbia, cuja única informação que continha, além do texto, era a seguinte: "Autor conhecido somente por Deus."

Se Deus tem chamado você para que seja verdadeiramente como Jesus com todas as forças de seu espírito, Ele estimulará você para que leve uma vida de crucificação e de humildade e exigirá tal obediência que você não poderá imitar os demais cristãos, pois Ele não permitirá que você faça o mesmo que fazem os outros, em muitos aspectos.
Outros, que aparentemente são muito religiosos e fervorosos, podem ter a si mesmos em alta estima, podem buscar influência e ressaltar a realização de seus planos; você, porém, não deve fazer nada disso, pois, se tentar fazê-lo, fracassará de tal modo e merecerá tal reprovação por parte do Senhor, que você se converterá em um penitente lastimável.
Outros poderão fazer alarde de seu trabalho, de seus êxitos, de seus escritos, mas o Espírito Santo não permitirá a você nenhuma dessas coisas. Se você começar a proceder dessa forma, Ele o consumirá em uma mortificação tão profunda que você depreciará a si mesmo tanto quanto a todas as suas boas obras.
A outros será permitido conseguir grandes somas de dinheiro e dar-se a luxos supérfluos, porém Deus só proporcionará a você o sustento diário, porque quer que você tenha algo que é muito mais valioso que o ouro: uma absoluta dependência Dele e de Seu invisível tesouro.
O Senhor permitirá que os demais recebam honras e se destaquem, enquanto mantém você oculto na sombra, porque Ele quer produzir um fruto seleto e fragrante para Sua glória vindoura, e isso só pode ser produzido na sombra.
Deus pode permitir que os demais sejam grandes, mas você deve continuar sendo pequeno; Deus permitirá que outros trabalhem para Ele e ganhem fama, porém fará com que você trabalhe e se desgaste sem que saiba ao menos quanto está fazendo. Depois, para que seu trabalho seja ainda mais valioso, permitirá que outros recebam o crédito pelo que você faz, com o fim de lhe ensinar a mensagem da cruz: a humildade e algo do que significa participar de Sua natureza. O Espírito Santo manterá sobre você uma estrita vigilância e, com zeloso amor, lhe reprovará por suas palavras, ou por seus sentimentos indiferentes, ou por malgastar seu tempo, coisas essa que parecem não preocupar aos demais cristãos.
Por isso, habitue-se à ideia de que Deus é um soberano absoluto que tem o direito de fazer o que Lhe apraz com os que Lhe pertencem e que não pode explicar-lhe a infinidade de coisas que poderiam confundir sua mente pelo modo como Ele procede com você. Deus lhe tomará a palavra; e se você se vende para ser Seu escravo sem reservas (Ex 21), Ele o envolverá em um amor zeloso que permitirá que outros façam muitas coisas que a você não são permitidas. Saiba-o de uma vez por todas: você tem de se entender diretamente com o Espírito Santo acerca dessas coisas, e Ele terá o privilégio de atar sua língua, ou de colocar algemas em suas mãos ou de fechar seus olhos para aquilo que é permitido aos demais. Entretanto, você conhecerá o segredo do reino. Quando estiver possuído pelo Deus vivo de tal maneira que se sinta feliz e contente no íntimo de seu coração com essa peculiar, pessoal, privada e zelosa tutoria e com esse governo do Espírito Santo sobre sua vida, então haverá encontrado a entrada dos céus, o chamado do alto, de Deus.

sábado, 30 de junho de 2012

Tesouro...



"Quão incerta são as coisas terrenas! Quão tolo é aquele crente que coloca seu tesouro em qualquer outro lugar que não nos céus!"

O trecho acima é de uma mensagem pregada por CH Spurgeon em 9 de abril de 1865.
Passaram-se quase 150 anos desta pregação e ela continua atual. Onde está o nosso tesouro? Aonde temos colocado o nosso coração? Porque aonde um estiver o outro também estará.
O zelo que temos que cultivar pelo nosso coração é algo vital. Se fundarmos os nossos sonhos e desejos em coisas deste mundo, veremos frustrações e incertezas a cada lance, pois o mundo é efêmero, a todo instante vemos mudanças na maneira de pensar, de agir e se comportar da sociedade. Se esperarmos a correspondência dos outros sobre as nossas expectativas, cabalmente encontraremos frustração em algum momento. Se a resposta que quisermos for algum objetivo, atingiremos tal e ainda assim não estaremos completo. Se ter algum bem for o alvo, desgastaremos o que temos de melhor para consegui-lo e ainda assim não estaremos satisfeitos. Tudo isso porque o verdadeiro tesouro não é terreno, o nosso alvo não é mundano, o objetivo está além do que os olhos podem ver.
Colossenses 3:1 - "Pensai nas coisas que são do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus".
Paulão cravou essas palavras para o pessoal da cidade de Colossos, chamou a atenção da galera e falou: "Hey! Hey! Esqueçam um pouco isso tudo aqui, voltem seus olhos para Deus, mirem para o alto, porque é de lá que vem o socorro, é de lá que vem o sustento"
Pensando nas coisas do alto, as nossas picuinhas aqui ficam tão vergonhosas. Inclusive o fato de sabermos muito disso e não vivermos, de conhecermos de ouvir falar ou mesmo de experiência, mas deixarmos de lado por um bem estar.
E graças a graça do Senhor que vamos prosseguindo, em busca da plenitude do conhecimento do Senhor, da aplicação da Palavra no dia a dia, até encontrar o descanso necessário no esconderijo do Altíssimo. Porque a alegria e a paz completa só se encontra no Senhor, olhando para o Senhor, prosseguindo para o Senhor, pensando nas coisas que são do Senhor e naquilo que Ele tem nos proporcionado.
Muitos buscam a alegria, o amor, a paz, mas tudo isso não são meros sentimentos ou situações que possam ser forjadas por mãos humanas, são estados que verdadeiramente só se encontram no caminho justo do Pai de amor. A alegria verdadeira e principal não é concebida pela criatura e nem por nada que possamos inventar. A alegria verdadeira é recebida do Criador, que, sendo uma vez possuída, ninguém pode tirar. Comparados com ela todo tesouro é tormenta, toda alegria é tristeza, coisas doces são amargas, toda glória é vil e todas as coisas deleitáveis são desprezíveis.
Portanto, que o nosso coração esteja no Senhor e que o nosso tesouro seja o Senhor.
A alegria da salvação, a paz que excede todo o entendimento e o amor verdadeiro tal qual encontramos em 1 Coríntios 13 só desfrutamos quando esquecemos o terreno e firmamos nossos votos no eterno, buscando-O em essência e atitude.

Para encerrar, uma poesia cantada:

"A explicação se esgotou, mesmo querendo encontrar.
É que o Senhor me buscou, quando a estrada era só escuridão...

Tu és meu Deus, Teu nome é grande.
Tu és eterno, mas não distante.
Canto sereno, Tua grande glória.
És santo Deus, Aleluia!"

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Poucas palavras...



"Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça..." - 2 Tm 3:16

Para corrigir.
Para instruir.
Que falta nos faz quando não a consultamos, quando não a lemos. É o mesmo que deixar um cego em meio a um cruzamento caótico de carros, totalmente sem direção.

Que a Palavra seja a lâmpada para os pés e a luz para o caminho.

"No silêncio Tu estás...
Eu Te busco, toda hora espero em Ti...
Revela-Te a mim...
Conhecer-Te eu quero mais..."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ser útil...



"Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra..." 2Tm 2:4

De onde viemos, para onde vamos, são questões que o homem sempre procurou respostas.
A origem do pecado na raça humana, desligou a nossa vida da essência do Senhor, da perenidade da nossa relação com o Criador e, como conseqüência, fez com que o homem perdesse a noção do seu propósito na Terra.
A vida é maior que cuidados deste mundo. É maior que um cargo no emprego ou na igreja institucional. A vida é maior que os embaraços deste século. A vida é conhecer e prosseguir em conhecer ao Deus criador. O propósito é adorar o Senhor com todo o nosso ser. O foco é mirar em Cristo e prosseguir, deixando para trás as coisas que já se passaram, seguindo a vocação de Deus em Cristo Jesus.
E para termos algum valor, precisamos ser úteis. E o que é ser útil? Ser útil é ter um caráter abnegado, que não se vangloria em si mesmo, que prefere servir a ser servido, que anseia dar ao invés de receber, que não almeja nada além do que conquistar para o reino do Senhor. O pensamento de um cristão útil não está limitado as coisas que ele pode ver, o andar de um cristão útil não está dentro dos parâmetros da sociedade.
AW Tozer registrou que nunca viu um cristão útil que não seja estudante da Bíblia, Watchman Nee mostrou que um cristão é posto sob pressão acima de suas forças para ter utilidade. Esses dois pontos nos mostram que para termos um contato mais vivo com o Deus de toda a Terra, precisamos sair da superfície, sair da estagnação religiosa, do marasmo do fazer, fazer e fazer. A essência não está no quanto de atividades você cumpre na igreja, mas sim em quanto de Cristo você expressa em seu dia a dia.
A satisfação do cristão útil está em não ser nada, a alegria é olhar para si mesmo e ver que não há bem algum que habite em si, que somos fracos e sujos, que nossos intentos são limitados e carnais, mas que através da cruz e do efeito da obra restauradora da mesma em nós, temos luz em nós mesmos e então somos libertos.
O jovem rico citado nos evangelhos fazia muitas coisas boas, guardava a lei desde a tenra idade, mas o Senhor viu que faltava nele alguma coisa ainda (Lc 18:18-23).
O que falta em nós? O que de fato falta em nós?
Um breve julgue-se a si mesmo já ajuda, não é necessário esperar a semana da ceia para fazer isso, pode-se fazer todos os dias, faz bem para a saúde, saúde espiritual.
Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Se colocássemos nossa vida mais vezes perante a cruz do Senhor, teríamos muito mais ganhos.
Precisamos do tratar do Senhor nas nossas vidas, precisamos ver o cuidado Dele em todos os aspectos da nossa caminhada, precisamos ser úteis para o Senhor. Não devemos nos escandalizar Nele quando a luta for maior que a nossa capacidade. Muitos desistem nesse momento, mas a graça da graça é essa, o paradoxo que nos segue é esse, que sendo fracos, somos fortes, sendo pobres, somos ricos, sendo inúteis para este mundo, somos úteis para Deus.
Que o Senhor possa nos conduzir a andarmos sempre olhando para Ele e que os embaraços e os vãos terrestres esplendores não venham a tirar nosso foco da morada celestial.

Hino 36 da Harpa Cristã
"Passarinhos, belas flores...
Querem me encantar...
São vãos terrestres esplendores...
Mas contemplo o meu lar..."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Equilíbrio...


Equilíbrio. É difícil ser equilibrado. Particularmente, não sou bom nisso. Tremo demais, coordenação motora não é o meu forte e acabo me desequilibrando, derrubando coisas. Da mesma forma, observo a caminhada cristã. Trememos e desequilibramos, tiramos as rédeas e as colocamos novamente, derrubamos as coisas e ajeitamos. É uma luta diária da ansiedade contra a calma, da pressa com o esperar. Da carne contra o espírito. E eis o ponto de que gostaria de escrever.
Gálatas 5 fala do fruto do Espírito e das obras da carne. Não vou escrever sobre as obras da carne, mas gostaria de me debruçar sobre o que esse texto diz sobre o Espírito e o fruto.
Em duas palavras, que não resumem, mas apresentam um poucochinho do que vi, é que o Espírito é comedido e íntegro e o fruto nos mostra isso. O fruto é 9 partes. Não, não teve erro de gramática. O texto diz que o fruto é. Ou seja, é a multiforme graça de Deus superabundando onde antes abundou o pecado e representado na melhor figura possível que é o fruto. Tal qual uma laranja, com seus gomos, preenchendo todo o nosso ser.
O fruto é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Paremos sob o último aspecto do fruto. Domínio próprio, o equilíbrio cristão.
O incrível é que o equilíbrio neste caso não é ter alguma parte do fruto e realizar algumas obras da carne. O equilíbrio é ter o corpo e a alma dominados pelo espírito. O que isso significa? Significa que tudo o que somos, pensamos e agimos não parte de nós mesmos, mas antes é guiado pelo Espírito (com E maiúsculo), e não vivemos mais para nós mesmos, mas sim para Aquele que nos salvou. O equilíbrio, ou domínio próprio, é uma das principais facetas do fruto e nos diz respeito a impulsos da carne, a sentimentos desenfreados, paixonites, raivas, olhares, enfim, é o Espírito dominando a carne e a concupiscência que nela habita.
Outro ponto do equilíbrio está no dominar do Senhor sobre nossos sentimentos. Quando fala-se de sentimentos, fala-se de alma. A alma nos impulsiona, se agita, se alegra, apaixona, sofre, interfere na vida do homem. O tratar da alma é algo duro, progressivo e no fim dará bons frutos.
Olhando para os versículos bíblicos que permeiam o livro de Salmos, percebe-se um derramar da alma dos escritores daqueles cânticos e como o Senhor produz o fruto em nossa vida.
Salmo 37. Davi abrindo seu coração a respeito dos injustos, rasgando o verbo e vendo que o Senhor é com aqueles que o temem. Em meio a tantos versos emocionados, porém, conduzidos pelo Espírito, temos três preciosidades. Versículos 3, 4 e 5:
"Confia no Senhor e faze o bem, habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor e te concederá os desejos do teu coração. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele e ele o fará..."
Três aprendizados. Acima dos passos inseguros da alma, há o cuidado do Senhor (confia). Acima das incertezas das emoções, há a mão do Senhor (deleita). Acima das minhas decisões, há o fazer do Senhor (entrega).
A nossa caminhada passa por momentos de certeza e momentos de questionamento, as decisões mais graves envolvem esse tipo de situação. Não há fórmula mágica, apenas o tratar do Senhor em meio as circunstâncias.
Decisões racionais aparentemente são mais simples, decisões emocionais mais complexas, ambas envolvem a alma de uma maneira ou de outra, ambas envolvem o ego humano, ambas impactam o andar da carruagem, porém, há um caminho, há um jeito, há uma cruz. Enquanto a cruz não for efetiva, batemos cabeça. Tomamos decisões precipitadas, deixamo-nos levar por situações que infringem o nosso portar cristão e as situações vão fugindo ao controle. Como resolver? Na cruz. Como suportar? No tempo de Deus. Como não ser hipócrita e aplicar a Palavra? Negando-se a si mesmo, tomando a cruz a cada dia e seguindo a Cristo, não apenas com palavras. Difícil? Sim. A carne é fraca. Mas o espírito está pronto, o fardo Dele é leve e o jugo suave. Ele nos carrega. É difícil porque não descansamos.
Durante algum tempo amarguei e achei que não havia espaço para emoções na vida cristã. Porém, há. Mas isso deve ser equilibrado, sóbrio. O que divide a alma do espírito é a Palavra. Deve-se alicerçar os planos e desejos na Palavra do Senhor. Só ela pode esclarecer os cantos mais obscuros dos sentimentos humanos.
É ela que nos traz de volta a realidade e nos mostra que não devemos brincar com as situações, mesmo que isso fuja ao controle por rebeldia humana. É ela que nos indica o caminho de volta, descanso e espera.
O resumo da ópera seria: paciência e disciplina.
Somente assim encontraremos a liberdade para abrirmos o coração com todos os tesouros que o Senhor tem reservado para aqueles que assim desejarem fazer. Nunca é tarde para começar ou recomeçar. As quedas ocorrem, por mais que você imagine que nunca ocorrerá com você. E elas ocorrem justamente para trazer a tona que nós de nós mesmos não temos nada, que em poucos minutos nos esquecemos de Deus e agimos pelas nossas próprias mãos. Portanto, façamos como o salmista, lembremos do Senhor (Sl 42:6). Que nos lembremos do Senhor a cada dia, porque embora um abismo chama outro abismo, o Senhor mandará a Sua misericórdia de dia e de noite a canção Dele estará conosco. (Sl 42:7,8)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A morte do Imortal...


"Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo"
Gálatas 6:14

Qual a mensagem da cruz? Por quantas vezes cantei o refrão "Sim eu amo a mensagem da cruz... Té morrer eu a vou proclamar...", mas afinal, qual é a mensagem da cruz?
Olhando para a cruz vemos uma pregação inteira, que ecoou na humanidade nos últimos 2000 anos.
A cruz é o maravilhoso ponto em que o homem percebe-se a si mesmo. É o local onde o rico e o pobre têm a mesma estatura, onde o sábio e o indouto estão no mesmo nível. É na cruz que o mel escorre de dentro do leão, é na cruz que todas as minhas qualidades são equalizadas com os meus defeitos mais crassos.
O apóstolo Paulo encontrou na cruz o lugar para gloriar-se. Ele que antes se vangloriava por ter sido circuncidado ao oitavo dia, ser da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus, segundo a lei, fariseu, segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fp3:5,6), quando se deparou com a cruz foi transformado, algo real aconteceu com ele. Mesmo sendo impecável segundo a justiça humana, ele percebeu que não conseguia cumprir com o querer fazer o bem. Quando ele se deparou com a cruz, uma interjeição brotou em sua alma - "Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?". Quando ele se deparou com a cruz, tudo o quanto tinha valor foi reputado como refugo. "Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo...". (Fp 3:7,8)
A cruz zerou o placar. Paulo percebeu que tudo aquilo não tinha valor após a sua experiência com a cruz de Cristo.
E o que é a cruz? Qual a sua mensagem?
A cruz é o Deus Todo-Poderoso, atemporal, eterno, criador, o Senhor dos senhores servindo a humanidade.
No princípio criou Deus todas as coisas e viu que tudo era muito bom (Gn1:31). Porém, o pecado entrou na humanidade através de Adão e a partir dele, todo ser humano nasceu no pecado. E o pecado é a rebeldia contra Deus. Todo ser humano possui essa incrível habilidade de rebelião intrínseca em seu coração.
Essa é a natureza humana. A natureza caída que combate contra o Espírito, que nos faz pecadores. Nós pecamos porque somos pecadores, não somos pecadores porque pecamos. A nossa natureza faz com que pequemos, isso é fato e habita na carne, onde não há bem algum.
Para tanto, Deus enviou o segundo Adão, Cristo, para que como pela desobediência de um, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos fossem feitos justos. (Rm 5:15-21)
A cruz é o Deus imortal, dando Seu Filho para entrar no tempo humano, na constituição humana, para ser em tudo tentado (Hb4:15), porém sem pecado, para ser experimentado no trabalho, homem de dores (Is 53), para levar sobre Si os pecados de toda a humanidade e abrir as portas do céu aos gregos, romanos, judeus, etíopes, gálatas, filipenses, coríntios, curitibanos, cariocas, soteropolitanos, londrinos, nova-iorquinos, argentinos, a todo aquele Nele CRER, reconciliando consigo o mundo, não imputando-nos os nossos pecados, antes fazendo-nos justiça de Deus por Seu Filho que não conheceu pecado, mas que Deus o fez pecado por nós!
Quando se encontra com a cruz, não há sabedoria humana, não há jeitinho algum. Na cruz todos são resumidos a mesma miséria, independentemente de se aos olhos do homem o sujeito for um juiz de alguma suprema corte ou um travesti na esquina mais próxima. Na cruz, a minha justiça, a tua justiça são trapos de imundícia! Na cruz, tudo o mais perde o valor e vemos a nossa condição lastimável e completamente depende de Cristo. É nisto que Paulo se gloriava. Ele se gloriava na cruz, no local onde ele percebeu que ele mesmo de si não tinha nada.
A mensagem da cruz é essa, é Cristo atraindo todos à Ele, dando cabo a situação perdida da humanidade, remindo-a do pecado, para que por essa graça fôssemos salvos. Purificando para si um povo especial, para que através Dele não vivamos mais para nós mesmos, mas sim para Ele. Para que Ele viva em nós e não nós mais em nós mesmos.
Na cruz vejo o Imortal morrendo pelo mortal, para que o mortal experimente das glórias inefáveis que somente o Imortal pode proporcionar.

"Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim que se um morreu por todos, logo todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." (2Co 5:14,15)
"Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim." (Gl 2:20)
"O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo especial, zeloso de boas obras." (Tt 2:14)
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2:8)

Para encerrar, um trecho de um hino de Charles Wesley, que traduz uma parte deste maravilhoso mistério da cruz, cujo tema é inesgotável e sempre haverá algo novo para nos debruçarmos.

"Assombroso amor! Como pode ser
Que Tu meu Deus, deverias morrer por mim!
Todo esse mistério! Morre o imortal;
Quem pode explorar seu estranho desígnio?"