domingo, 3 de fevereiro de 2013

Nada me faltará...


"O Senhor é o meu pastor e nada me faltará..."
Acredito que este seja o salmo mais conhecido da Bíblia. Todos, crentes e descrentes conhecem este versículo. É um salmo poderoso, onde Davi expressa toda a sua confiança em Deus.
Nada me faltará. Mas nada é nada. Ou seja, além de não me faltarem os benefícios dos cuidados do Senhor, não me faltarão os meios para produzirem esta fé que confia verdadeiramente no Senhor. 
Deixe-me explicar de maneira mais clara. Não faltarão tribulações para produzirem a paciência, para gerarem a experiência que nos confortarão, nos trazendo a esperança, e a esperança é Cristo em nós, a expectativa da glória. Este ciclo está dentro do entendimento deste versículo, nada me faltará.
Quando fomos salvos, não fomos transformados em seres perfeitos, imaculados, que flutuam por onde passam. Não. Continuamos sendo os mesmos pecadores, comedores de arroz com feijão e farinha. Os mesmos preguiçosos, que colocam o soneca 4 ou 5 vezes para prolongar a estada na cama. O Senhor nos salvou para sermos seres humanos. Não algum tipo de ser humano, mas simplesmente ser humano.
Quando tentamos ser algum tipo de ser humano, nos tornamos religiosos, flertando com a hipocrisia. Quando vejo as exigências que as situações do dia a dia nos trazem, percebo que o código da boa conduta humana nos oferece uma saída maquiada, com boa aparência e que pode enganar a quem esteja ao nosso redor, mas de Deus, como poderemos esconder? Perante Ele tudo está patente e claro. Ele nos salvou, para que sejamos simples, sem máscaras, sem pretensões, vivendo o bem e o mal de cada dia, pois o que é a nossa vida, se não um vapor que aparece e vai embora? 
O anseio por Deus e a religião são duas linhas paralelas. A alma sincera quer encontrar o caminho que leva a Deus, olhando com atenção e reverência, mas a religião quer regulamentar, estabelecer rotas fixas e punir quem não segue seus ditames. 
O trunfo que nos chama para uma vida sincera perante Deus é o sangue do Cordeiro. Este sangue é o tempero que traz novamente o doce sabor da vida cristã. É este sangue que nos lava e nos redime, nos trazendo liberdade, nos fazendo entender que nunca saberemos tudo dessa vida e que a maior parte do que ansiamos aqui na Terra é vaidade. É o sangue que nos faz viver uma vida onde Deus está incluso em tudo e o sabor de uma vida assim é superior aos muitos dissabores que o mundo oferece.
Por isso o desejo do homem deve ser o de agradar a Deus, reconhecendo sua condição e clamando pela mão poderosa do Senhor. Essa sinceridade fez com que Davi recebesse a alcunha do próprio Deus como um homem segundo o Seu coração. Que coração é esse? É o coração sincero que sabe que nada faltará. Que não faltarão decepções, que não faltarão repetições dos mesmos erros, porque o ser humano é assim, limitado. Essas experiências nos trazem  paciência e esperança, nos levam para mais perto de Deus, nos fazem ouvir novamente a voz suave depois de tantos ventos e terremotos, para então vermos que de fato nada nos faltará, que não faltarão alegrias, providências e cuidados sempre no tempo certo de Deus.

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